sexta-feira, 26 de setembro de 2014

OPINIÃO: População de Pensamento na cidade da Praia em estado de abandono

O bairro de Pensamento dista aproximadamente dois quilómetros do Plateau, mas como se costuma dizer está perto da vista, longe do coração. Isto porque se nota que teve pouca atenção por parte do Dr. Ulisses Correia e Silva, Presidente da Câmara Municipal.

Por: Miguel Furtado (Lando Tio) *




Pelo tempo que já tem à frente deste município, muita coisa deveria ser feita, nomeadamente o calcetamento das ruas, drenagem de águas pluviais, protecção das encostas, asfaltagem da avenida de Pensamento até à Cadeia Central da Praia, a requalificação do campo de futebol, colocando relva sintética de modo a dotar esta infra-estrutura das condições que desde há muito têm sido solicitadas pelos jovens deste bairro, a melhoria da iluminação pública, extensão da rede de esgotos, entre outros.

A segurança constitui outro problema, pois a população local vem sendo aterrorizada por grupo de homens armados que, encapuzados, efectuam roubos aos moradores nas suas próprias casas, levando os seus pertences. À noite ouve-se tiros que saem não se sabe de onde. Aparecem frequentemente em grupo, armados e encapuzados, entre sete e oito indivíduos a realizar tal prática. Urge a tomada de medidas para pôr cobro a esta situação, por quem de direito. Os moradores clamam por aqueles que outrora estiveram a pedir os seus votos - na época das campanhas eleitorais e que hoje estão no poder - e esperam que alguma coisa seja feita.

No monte de Pensamento existe uma grande quantidade de terras à vista, soltas, que nas épocas de chuvas prejudicam a população. Também as águas provenientes de chuvas na rotunda de Eugénio Lima são desviadas pela encosta abaixo provocando prejuízos à população.
Por tudo isso propõe-se:

- A observação e registo do comportamento a modificar, por um lado, e da identificação e definição dos comportamentos desejáveis que se quer estimular junto dos chamados thugs;

- Desenvolver estratégias para lidar com, e eliminar os comportamentos perturbadores e validar a própria intervenção para desenvolver e aumentar os comportamentos desejáveis.

É preciso ter em conta que aquilo que se considera apropriado para uma comunidade pode muitas vezes ser desapropriado numa outra, aquilo que é considerado como problema crónico por um dado elemento da sociedade pode ser visto como um problema “passageiro” ou situacional por um outro.

Sabe-se que as várias correntes da psicologia têm oferecido contribuições para compreensão e para intervenção em problemas de indisciplina nas comunidades. Já é tempo de o Governo dizer basta às provocações na sociedade cabo-verdiana. Os chamados thugs têm ceifado a vida de muitos jovens nos bairros da capital à vista de quem tem responsabilidade no governo desta terra. Muito já se tem feito, mas é preciso fazer mais, para debelar os males que provocam na nossa comunidade.

Muitas vezes acontece uma “solução notável” ditada pelo “bom senso”, mas não resolve o problema, e a insistência nela conduz ao impasse. Toda a interacção provoca necessariamente algumas mudanças comportamentais nos indivíduos, no domínio dos conhecimentos, dos sentimentos ou dos comportamentos.

Urge a tomada de medidas a favor dos mais desprotegidos, pois a tanto sangue derramado, tanta dor e maus-tractos têm assistido as mães da nossa terra, tanto propagado na comunicação social.

Muitos pais e encarregados da educação são cúmplices do surgimento dos thugs porque escondem as coisas mal feitas pelos seus filhos, mesmos que fabriquem armas artesanais e ou instrumentos de ataque às pessoas tais como: catana, punhais e entre outros e dizem sempre que os seus filhos portam-se bem e quando são molestados por um outro grupo aparecem na comunicação social a condenar o governo por não fazer justiça, mas há um ditado popular que diz “a justiça primeiro se faz em casa”.

A população deste bairro, aguarda com a ansiedade a vinda dos eleitos municipais, deputados nacionais e do próprio Presidente de Câmara, nos próximos embates eleitorais, que serão bem presenteados, mas esperam pacientemente que até lá alguma coisa será feita.

Praia, 1 de Junho de 2014

* Técnico licenciado em Português/Francês

Fonte: A Semana

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